Rio de Janeiro, prepare-se. Uma super-heroína nada convencional está prestes a ocupar as noites de abril no icônico Teatro Ipanema. “Super Ela”, espetáculo inédito escrito e encenado pela atriz Flávia Reis, estreia no dia 02 de abril, às 20h, trazendo para o charmoso palco da Zona Sul uma mistura fina de humor ácido, reflexão e virtuosismo físico.
A peça flagra a protagonista em um momento de tensão máxima: os instantes que antecedem um salto audacioso de uma plataforma em direção a um recipiente minúsculo. Sob o olhar atento da plateia, enquanto busca a concentração necessária para o mergulho, a Super Ela rompe o silêncio para compartilhar com os ouvintes os desafios de ser uma heroína contemporânea, já cansada das batalhas que se repetem através dos tempos e que, por vezes, parecem não evoluir. Tá puxado pra ela! Flávia Reis usa a metáfora do salto que pode ser fatal para tocar em temas profundos, porém com humor inteligente, irônico e magnético, temperado com doses generosas de palhaçaria — técnica que a atriz domina com maestria. “A escolha de trazer uma super heroína para a cena veio do desejo de criança de querer salvar o mundo com as ideias mais ingênuas e muita obviedade”, explica a atriz, que acredita que muitas vezes temos a solução para algumas questões, mas os obstáculos aparecem na nossa mente adulta complexa que nos orienta. “Quero dar passagem ao que é simples, o simples hoje em dia é praticamente um ato heroico”.
Ao longo de 60 minutos, o público acompanha a hesitação da heroína diante do salto anunciado. Entre um titubeio e outro, ela divide pensamentos intrusivos que a impede de saltar, revelando que o verdadeiro "pulo do gato"; (ou da gata) poderia ser, na verdade, um salto livre. Uma metáfora potente sobre a libertação de padrões: por que caber em um recipiente estreito se ela pode ser imensa? E quem a obriga a saltar? É nesse embate entre o medo do fracasso e o desejo de não se conter que a personagem se humaniza e conquista os espectadores.
“Super Ela” marca o retorno de Flávia Reis aos palcos cariocas após “Neurótica”, comédia que arrebatou plateias no Rio e em São Paulo por 12 anos e levou a atriz a vencer o “LOL – Se Rir Já Era” (Prime Video), onde Flávia apresentava seus personagens. A direção do novo espetáculo tem a assinatura de Álvaro Assad, mímico e diretor, atual vencedor do Prêmio APTR (Associação dos Produtores de Teatro) de Melhor Espetáculo com “Ordinários”. O resultado desse encontro é uma montagem que faz o público transitar entre o riso e momentos de emoção. A eficácia dessa receita já foi testada e aprovada: a pré-estreia internacional aconteceu em janeiro, em Barcelona (Espanha), com casa cheia e aplausos calorosos do público. Uma suave explosão; um delicado furacão. Abram espaço, pois “Super Ela” chega para balançar certezas e garantir que ninguém saia inerte — ou mal-humorado — do teatro.
O Teatro Ipanema foi idealizado pelos atores e diretores Rubens Corrêa e Ivan de Albuquerque. Leyla Ribeiro, mulher de Ivan de Albuquerque, os ajudou a inaugurar o novo espaço em 1968 após quatro anos de obras. Foi erguido no local de um barracão no quintal da antiga residência de Rubens, o qual era utilizado para ensaio e depósito de cenários. A partir de então, o Teatro Ipanema foi um importante palco na cidade, sobretudo para jovens dramaturgos, diretores e novas companhias, que iriam mudar completamente o teatro brasileiro...