Da baía ao oceano
A relação entre a Baía de Guanabara e o Rio de Janeiro é ancestral: passando pelas cosmogonias indígenas tupinambás até a chegada da primeira expedição portuguesa, pelo desembarque forçado de povos africanos nos portos do entorno e, mais recentemente, pelas mudanças na região do Porto Maravilha, a baía se torna o fio condutor das maiores transformações da cidade. Essa interdependência encontra ecos, ainda, na dinâmica entre a baía e o Oceano Atlântico – uma verdadeira faca de dois gumes: a princípio um berçário vital para espécies oceânicas diversas em busca de nutrientes, esse vínculo é colocado em risco em decorrência do grau de poluição das águas.Refletindo sobre as interseções entre as práticas artísticas e as urgências climáticas, o Museu do Amanhã, em parceria com a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, comissionou trabalhos de cinco artistas. Camila Proto, Chris Tigra, iahra, Lucas Ururahy e Ygor Gama partem de suas pesquisas para tensionar as relações entre natureza e cultura, o individual e o coletivo, o humano e o mais-que-humano. Ao entrecruzarem ciência e ficção em suas investigações, o grupo nos lembra que só se pode estudar aquilo que primeiramente se sonhou. É ao alimentar as forças imaginativas do público que o Museu do Amanhã aposta no potencial de reconexão do humano com o oceano, pautando a sua defesa no resgate da memória que nos conecta.